Carta(s) Branca(s)


O dízimo

O Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz foi baptizado com o nome de quem se pode gabar de, ao tempo em que foi Secretário da Estado da Cultura, ter corrigido a História dando o seu a seu dono - refiro-me, evidentemente, aos concertos para violino de Chopin. Com esse acto, o governante em causa deu uma preciosa contribuição para que passasse despercebida a ignorância do então Primeiro Ministro em relação a assuntos confusos (como Thomas Moore-Mann) ou misteriosos (como o número de Cantos d' «Os Lusíadas»).

Percebe-se que no PSD não achem necessário que se possua uma grande cultura geral para se ser «presidenciável» quando se vê como alguns ministros desse partido lidam com assuntos dessa área - veja-se a tosca tentativa de assassínio do «Acontece» ou a ideia (que não lembraria ao Diabo) de fechar parcialmente os museus (até o de Arte Antiga!) por falta de verba.

Mas pelo menos esta última nódoa vai ser limpa, pois arranjaram-se, para o efeito, 500.000 € «com carácter de desenrasca». E nestas coisas não costuma haver coincidências: tendo em conta que o Governo, pouco antes, «desenrascou» 5.000.000 € para os 120 GNR que vão para o Iraque, é porque alguém, em boa hora, arrepiou caminho e criou um «dízimo cultural». Assim sendo, até deviam enviar muitos mais do que os 120 - porque então, embora indirectamente, a Cultura agradeceria.

Também ouvi dizer que iam mandar dois «governantes» para o Iraque. Boa! Mas... porquê SÓ DOIS?!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 28 Junho 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique no dia anterior

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