Carta(s) Branca(s)


Os aviadores

Um dia destes, vinha eu a estrear o novo troço da A2, quando se passou o que já é habitual: enquanto alguns «tansos» se davam ao incómodo de cumprir o Código da Estrada, inúmeros condutores circulavam a velocidades para as quais era suposto terem «brevet» de aviador.

Como de costume, coloquei a mim próprio algumas questões que, também como habitualmente, ficaram sem resposta:

- Onde estará a polícia? E os radares? E os tais detectores de velocidade-média?

Mas houve uma outra para a qual acho que descobri uma pista nesse mesmo dia:

- Onde é que estes artistas terão aprendido a conduzir?

Segundo o «Expresso», o Presidente da Associação Portuguesa de Escolas de Condução (que também é gestor de um Centro de Exames de Condução e dono das Escolas de Condução «Moderna») foi recentemente apanhado na A6 a 224 km / h.

Que se saiba, isso não sucedeu por «ir tirar o pai da forca» (como diz o povo), pois até parece que o faz sempre que pode - apresentando, como argumento em sua defesa, que não concorda com o limite imposto.

Bem precisados andamos de anedotas como esta, pois os temas da pedofilia e da corrupção abalam os nervos de qualquer um.

Mas, já que falamos disso: os implicados nestes e noutros casos já se terão lembrado de argumentar em sua defesa (como o cavalheiro referido) que, pura e simplesmente, não concordam com a lei?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 31 Maio 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique no dia anterior

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