Carta(s) Branca(s)


«Dura lex»
ou
O Juízo Final

Há dias pudemos tomar conhecimento, pela TV, de mais uma peripécia judicial: o julgamento da UGT (que já se arrasta há uma boa dúzia de anos) foi adiado pela enésima vez.

Fez-me alguma confusão ver pessoas que, quando tudo começou, eram jovens e escorreitas, e que agora não conseguem disfarçar os cabelos brancos ou os quilos a mais. E compreendi a sua irritação por se verem transformados em arguidos por tempo indefinido.

Mas, afinal, a razão para o que aconteceu foi muito simples: faltaram réus.

Fiquei espantado, pois pensava que, hoje em dia, isso já não era motivo para adiamento de julgamentos. Mas um senhor muito entendido veio esclarecer que é mesmo assim: para os novos processos, o sistema já é outro; mas, neste caso, como se trata de um processo antigo, as coisas seguem... o processo antigo.

E eu que ainda havia pensado que a causa pudesse ter sido a doença do juiz, uma inundação no tribunal ou a combustão de algum arquivo!

Nada disso. Tratou-se apenas do exercício de um direito dos arguidos: não aparecer.

Quando compreendi que o problema tinha sido esse, fiquei à espera de ver surgir o Raul Solnado com a rábula do prisioneiro que não quis vir.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 16 Fev. 2002

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