Carta(s) Branca(s)


A. s. a. p.!

Quando, há muitos anos, iniciei a minha actividade profissional, a primeira coisa que o meu chefe me ensinou foi que, quando se está numa posição de se exigir urgência a alguém, não se devem empregar (nem aceitar) expressões do tipo "rapidamente" ou "logo que possível" - nem outras de igual jaez pois, na realidade, são tão imprecisas que cada um as entende como mais lhe convém.

Vem isto a propósito do que os americanos e os ingleses respondem quando lhes perguntam quando é que saem do Iraque, porque a resposta que dão é precisamente desse tipo: "As soon as possible", expressão também conhecida por "a.s.a.p.". Podem ser mais ou menos lacónicos, podem exibir pronúncia do Texas ou de Londres, mas o sentido é sempre o mesmo e não deixa margem para dúvidas: "Saímos quando (e se) quisermos".

Isso faz-me lembrar a velha rábula do marido que, ao ver a mulher a preparar-se para sair de casa depois do jantar, a interpela, com cara de poucos amigos:

- Olha lá, ó Maria, aonde é que tu julgas que vais?!

- Aonde eu quiser - Responde ela no mesmo tom agressivo.

- E a que horas voltas?

- Quando me apetecer.

O homem, então, resolve encerrar o assunto dando um murro na mesa e demonstrando a sua autoridade:

- Mas nem um minuto mais tarde, ouviste?!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 3 Maio 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique no dia anterior

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