Carta(s) Branca(s)


O Grande Xerife

Até há pouco, tudo o que eu sabia acerca do pistoleiro Wild Bill Hickok vinha dos tempos em que vivia imerso em banda desenhada (ainda não se falava em genocídio dos índios, aliás sempre referidos como «os selvagens»), mas um programa de TV ensinou-me mais algumas coisas:

Esse artista do gatilho, que chegou a ser eleito xerife no Texas, costumava dizer que só dava cabo dos que o queriam matar e dos que mereciam morrer - o que ficava ao seu alvedrio e pode dar uma pista para se descobrir onde é que «um outro texano» foi desencantar a ideia da «guerra preventiva».

Um belo dia, ouvindo barulho atrás de si, virou-se com a rapidez de um raio e disparou. Viu depois, com mais tempo, que tinha morto o seu ajudante. Estaria a preludiar o que «o outro» fez em termos de destruição da unidade da NATO, da ONU e da Europa?

Depois de muitas peripécias e de ter sido corrido de xerife, acabou os seus dias ingloriamente num «saloon», na sequência de um ataque não-convencional - com um tiro na nuca durante uma partida de póquer, e quando o jogo até lhe estava a correr bem.

MAS ainda hoje leva alguma vantagem sobre o seu serôdio imitador: quer os «danos colaterais» que provocavam os seus tiros de «precisão cirúrgica», quer as suas tropelias em geral, só afectavam os habitantes das redondezas - felizmente, os únicos que tinham de o aturar!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 26 Abr. 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique no dia anterior

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