Problemas termino... lógicos
A guerra no Iraque trouxe à tona algumas expressões que, se não fossem trágicas, dariam vontade de rir: «bombas inteligentes», «danos colaterais», «bombardeamentos cirúrgicos»...
Se as primeiras atestam a inteligência de quem as concebe e usa (USA?), os segundos são um eufemismo insuportável e os últimos fazem lembrar os hospitais aonde vão parar as vítimas dos anteriores.
O léxico da hipocrisia bélica enriqueceu-se recentemente com o bizarro «fogo amigo» e com o vómito da "ajuda humanitária" administrada pelos autores da desumanidade: que tal destruir o abastecimento de água de uma cidade e a seguir levar garrafinhas de litro-e-meio aos habitantes sedentos?
Depois do negócio do armamento (praticado pelos países industrializados), atingiu-se um novo grau de obscenidade: os contratos para a reconstrução - a adjudicar às empresas dos que trataram da destruição! (E adivinhe-se quem vai pagar a conta...)
Um dia destes uma locutora da CNN perguntava a um especialista como é que se podia falar de «libertação» e ao mesmo tempo usar expressões como «conquistámos», «controlamos» e «dominamos» (enquanto se implantam, aqui e ali, bandeiras americanas).
O cavalheiro embatucou, sinal de que não conhecia a expressão «Foge a boca para a verdade». Problemas de léxico...
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 12 Abr. 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique em 16 Abr. 2003
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