Carta(s) Branca(s)


Brincando ao eixo

Diz-se que a primeira vítima da guerra é a verdade pois, quando começa uma, todas as partes mentem com quantos dentes têm. Mas ora! O que são «mentiras» quando comparadas com o que são capazes de fazer as armas hoje em dia disponíveis?

Também se pode afirmar que a primeira vítima ANTES da guerra é a lógica - a propósito da que se prepara para o Iraque (a única cruzada da História condenada por um Papa!), pois o que ouvimos são discussões de surdos em que uns argumentam com o direito internacional e outros dizem (sem se rir) que querem libertar o povo iraquiano.

Toda a gente sabe que o que está DE FACTO em causa são interesses económicos e geoestratégicos de dimensão mundial e que vão provocar um conflito com consequências de amplitude nunca vista. Mas quem é que vai defender publicamente que se deve escaqueirar um país e matar uns bons milhares de pessoas por causa das segundas maiores reservas de petróleo do mundo?

Talvez avaliando os outros por si mesmo há quem tente passar uma mensagem do tipo «banda desenhada para débeis mentais»: «Nós somos do eixo-do-bem, eles são do eixo-do-mal; e aquele pode não ter razão, mas é nosso amigo» - e outras bacoquices semelhantes a que só não chamaremos «Conversas da Treta» para não ofender o Toni (contraponto do Zezé). É que ele podia pensar que o estávamos a confundir com o Tony...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 22 Mar. 2003
Uma versão preliminar foi também publicada no "Correio da Manhã", de Moçambique, em 19 de Março

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