Carta(s) Branca(s)


Vai uma voltinha?

A afirmação de Morais Sarmento - de que sairia mais barato pagar uma viagem à volta do Mundo aos espectadores do «Acontece» do que manter o programa vivo - foi um mimo em matéria de «falta-de-chá»; e a primeira coisa quem vem ao espírito é que não se deveria gastar tempo a discutir patacoadas de tal jaez. Mas houve quem se desse ao trabalho de contra-argumentar, multiplicando o número de espectadores do programa pelo preço de uma viagem dessas.

Palpita-me, no entanto, que foi tempo perdido pois, se calhar, o verdadeiro problema está na definição de «volta-ao-mundo»: quem se abalançar a fazer uma deverá atravessar os meridianos todos (de preferência à latitude do Equador) percorrendo, pelo menos, os 40076,5 km que ele tem de perímetro.

Ora, alguns pensam que basta cruzar os meridianos independentemente da latitude a que o façam. Se isso fosse verdade, podia considerar-se que alguém dava a volta-ao-mundo (mesmo de trotineta, de patins ou ao pé-coxinho) contornando simplesmente um urso polar que estivesse a hibernar à latitude de 90º.

Deve ter sido para uma «volta» dessas que o senhor ministro pediu orçamento e, se assim foi, está tudo explicado e com clareza «meridiana».

Quanto ao urso: de facto, não era necessário para esta explicação, mas acabou por entrar aqui por associação de ideias.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 1 Mar. 2003

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