Carta(s) Branca(s)


O Iraque e a pedofilia

Neste momento, e por causa da pedofilia, não há um único português, mesmo analfabeto, que não saiba que todo o cidadão está inocente até prova em contrário. E, nesse aspecto, tem um avanço civilizacional em relação aos que, a propósito do Iraque, acham que «Saddam é culpado até que prove que está inocente».

Claro que, se tivermos em conta quem em tempos apadrinhou o ditador (e lhe forneceu as tais armas de destruição em massa), compreenderemos melhor que essas pessoas tenham essas certezas sobre esses assuntos.

Ora, andam no Iraque uns senhores cuja função é, precisamente descobrir o que é que por lá haverá e não haverá; mas, além de o país ser grande, os inspeccionados não devem ter muita vontade de colaborar quando já sabem que a lógica é: «Se mostram armas, têm de ser bombardeados porque as têm; se não as mostram, têm de ser bombardeados porque as escondem».

No entanto, dar aos inspectores o tempo de que necessitam, parece ser o mínimo que se pode fazer; mas há quem ache que o trabalho deles não interessa e está a levar demasiado tempo.

Fazem-me lembrar o meu amigo Roberto, pessoa muito sovina que gosta de fazer uma ingénua brincadeira:

Pergunta ele:

- Quem quer que lhe pague um café?

E ainda as pessoas estão de boca aberta, admiradas com tanta generosidade, já ele proclama:

- Acabou o prazo!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 22 Fev. 2003

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