Os Grupos Dramáticos
Quando alguém diz que há pedófilos numa instituição, há logo quem desdramatize: «Ora! São uma minoria!»
Quando alguém fala de fraude fiscal, há logo quem desdramatize: «Ora! Todos a praticam!»
Quando alguém refere países da NATO que se opõem a uma invasão do Iraque sem provas concludentes, há logo quem desdramatize: «Ora! São uma minoria!»
Quando alguém denuncia «sacos azuis», há logo quem desdramatize: «Ora! Todos os têm!»
E assim por aí fora: ou porque «são muitos»... ou porque «são poucos»... a solução é «desdramatizar»!
Vem isto a propósito do facto de alguns contribuintes (??) terem aproveitado o recente perdão fiscal (que lhes caiu do céu por causa do défice de 2002) para pagarem as suas dívidas com... cheques «carecas»!
Perante acontecimento tão surrealista, e como não podia deixar de ser, veio logo alguém desdramatizar: «Ora! Foram só 2 500 000 Euros, o que é insignificante».
Mas, salvo melhor opinião, não era preciso «desdramatizar» pela simples razão de que, neste caso, não há «drama» nenhum: os impostos em Portugal são, até, uma verdadeira paródia - uma interminável anedota de humor-negro que, vendo bem, até nos dá uma «dramática» vontade de rir!
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 15 Fev. 2003
|
|
|
|
|