Carta(s) Branca(s)


Grandes (garg)alhadas

Ainda haverá alguém que não abra a boca de tédio quando ouve falar das «alhadas» do défice, do casal Tallon, das Comissões de Inquérito ou do Jardel?

Ou quando tem de aturar uns patuscos da bola a dizer que a culpa dos seus maus resultados é da arbitragem?

Ou quando apanha nos tímpanos e na retina com o vozeirão, a barriga esticada e o dedo em riste dos caciques que todos conhecemos (e que ficavam lindamente a perorar num coreto do Portugal dos Pequeninos)?

Bolas! É que, além do mais, o bocejo é contagioso!

Acontece o mesmo com o riso, regra de ouro que qualquer animador de bairro conhece bem. Por exemplo, nas séries de TV há muitas vezes gargalhadas «enlatadas» que a realização mete - não só para explicar aos espectadores mais burros quando é que devem rir, mas também para provocar esse efeito de bola-de-neve. No entanto trata-se de um recurso para humoristas de meia-tigela, pois o verdadeiro artista (como adiante se verá) dispensa esses artifícios.

É que me estou a lembrar das recentes promessas do Governo de que vai baixar uns impostos... em 2004 e em 2006! E, por causa disso, tenho de pedir desculpa aos leitores: a crónica de hoje é menos cuidada do que o costume pois tenho imensa dificuldade em escrever ao mesmo tempo que rio à gargalhada - fico com os olhos a chorar...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 28 Dez. 2002

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