Carta(s) Branca(s)


Porta(gen)s e travess(ur)as
ou
As Ruas da Beneficência

Dado que o acto de repor as portagens na CREL é, segundo nos garantem, de grande e elementar justiça, por que não foi anunciado antes das eleições? É que o povo aprecia tanto os justiceiros que decerto teria dado mais votos ao PSD - evitando que este ficasse dependente do CDS.

Mas, se é verdade que o princípio do utilizador-pagador é justíssimo, então haja moralidade a 100%: criem-se portagens em todas as vias públicas do país (pontes, túneis, praças, pracetas, largos, ruas, ruelas, avenidas, becos e travessas) para que, p. ex., não sejam os habitantes do Minho a pagar as da Madeira nem vice-versa. E metam-se portagens "reforçadas" nas que servirão os estádios do "Euro 2004" (onde a esmagadora maioria de quem os anda a pagar não vai pôr a pontinha dos pés).

Reponham-se também as da ponte de Vila Franca (que Lourdes Pintassilgo, demagogicamente, aboliu) e, é claro, todas as que dantes havia à entrada dos burgos.

Numa sondagem recente chegou-se à conclusão de que 90% dos portugueses têm má impressão dos políticos. É uma grande injustiça, mas é possível que faltas de critério como a referida tenham tido alguma influência.

Mas voltando ao assunto das portagens: não acham que deviam ficar isentos os moradores da Travessa do Senhor Roubado?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 21 Dez. 2002

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