Quá-quá... quase!
Muitos portugueses irritam-se quando vêem que os projectos políticos, sejam eles quais forem, passam (ou não) conforme os partidos que os propõem; e que nenhum governo está à vontade para avançar com qualquer coisa que ultrapasse a sua legislatura.
Vem isto a propósito dos apelos que surgem de vez em quando para que haja pactos-de-regime que façam com que os partidos enxerguem para além das suas paredes e olhem mais para o interesse nacional do que para os seus retorcidos umbigos.
Mas veja-se como estamos no bom caminho:
O governo autorizou o pagamento, até ao fim do ano, de 9000 milhões de euros de contribuições e impostos em falta (o preço de 10 pontes Vasco da Gama!), sem juros nem penalizações.
A ideia, que não é nova (é até a 12ª vez que a oiço), é fácil, é barata, e pode ser que dê milhões. Mas duvido, pois ninguém diz aos faltosos que vão presos se não pagarem, e o que eles ouvem são essencialmente falinhas doces: «Vá lá, sejam bonzinhos...».
Além do mais, toda a gente sabe que os impostos, em Portugal, não são obrigatórios, mas apenas uma mera sugestão que o Estado dá, confiando na boa-vontade dos contribuintes.
De qualquer forma, e tendo em conta os que normalmente os pagam: pode não haver tão cedo «pactos-de-regime», mas já existe uma óptima aproximação: os «patos-do-regime».
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 16 Nov. 2002
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