Carta(s) Branca(s)


Sempre a (a)prender!

Parece que a senhora ministra das Finanças disse há dias que deviam ser presos os funcionários dos CTT que deram informações supostamente falsas sobre Certificados de Aforro. A gargalhada estalou quando se veio a saber que «a coisa», afinal, constava do Decreto-Lei N.º 122/2002, pelo que, em vez de uns milhares de camas, os serviços prisionais apenas teriam de arranjar duas: uma para Oliveira Martins e outra para António Guterres!

Ora, como assim vão ficar celas vagas (e a sugestão é deliciosa), aproveite-se para meter «à sombra» os que, quais ilusionistas de circo, enganam o estimável público - e dê-se prioridade aos que prometem um ror de coisas para depois fazerem exactamente o contrário... ou nada.

O mal é que há a ideia generalizada de que, vindas de «certas pessoas», essas traquinices são inevitáveis. E não é só por cá: tenho andado a ler o «Passageiro para Francforte», de Agatha Christie, onde, há já muitos anos, ela punha uma sábia velhinha a dizer (talvez com alguma injustiça): «Os políticos têm a impressão de possuir uma espécie de direito divino de mentir»; «se tivesse dito a verdade, perderia a eleição - e os primeiros-ministros continuam a pensar do mesmo modo».

Mas vou trocar o livro pois, quando mo venderam, prometeram-me ficção, «suspense» e mistério.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 9 Nov. 2002

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