Carta(s) Branca(s)


Jogando à defesa

Das vezes que não entreguei a Declaração do IRS pela Internet, já me sucedeu enganar-me e ter de fazer outros papéis. Mas nunca me aconteceu redigir duas versões diferentes: uma para deixar nas Finanças (indicando menos rendimentos do que os reais) e outra (a correcta) que ficasse comigo!

Ora, por incrível que pareça (segundo o Expresso de 19 p.p.), foi isso o que se passou com o IRS de 2001 de Paulo Portas - pessoa a quem, pelos vistos, não há azar que não caia em cima!

Mas eu compreendo-o: tendo tanto com que se preocupar, nada mais natural do que um engano na declaração do malfadado imposto (mesmo sabendo que a Ministra das Finanças o mantém debaixo d'olho desde que afirmou que, na sua empresa, pagava alguns trabalhos sem recibos). Também compreendo que uma pessoa que gere milhões de euros dê pouca atenção a coisas tão comezinhas, pois a convivência prolongada com «grandes números» (sem segundo sentido...) leva a menosprezar pequenas verbas como as do seu IRS.

De qualquer forma, não é justo que se diga que a culpa foi de quem, nas Finanças, escolheu o exemplar errado. Estou mesmo a ver, em 2003, um atrapalhado funcionário com os dois papéis na mão, e a perguntar, a medo:

- Desculpe a pergunta, senhor Doutor... Qual é o seu papel?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 1 Nov. 2002

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