Carta(s) Branca(s)


Por este caminho...

Embora Portugal possa ser pobre, tem uma língua muito rica: Aldrabice, Batota, Chico-espertice, Desonestidade, Engano, Fingimento, Gozar-connosco, Hás-de-pagá-las, etc., são expressões que parecem brotar do chão quando se pensa nos que fazem exactamente o oposto do que prometeram. Estou a pensar na anedOta da Ota (e respectiva cambalhOta), na peta de mau-gosto dos «impostos ió-ió», na patacoada da indemnização-zero-tostões para Rangel, etc.

Tropelias como a da alteração das pensões da Função Pública ou rábulas como a dos «palermas» também ajudam o nível da política a descer mais uns degraus - embora, neste caso, tenha havido uma explicação dada pelo próprio autor:

- Nas minhas veias não corre tinta-da-China!

Percebeu-se que tem «veia» de opositor, mas esperemos que não ache uma «chinesice» o facto de as pessoas se estarem cada vez mais «nas tintas» para os políticos. A maioria destes ainda não percebeu que, agindo assim, só aumenta o fosso que separa os cidadãos da «coisa pública».

Por este caminho, veremos a abstenção a crescer, a crescer... e só parar quando o número de votantes se reduzir a 230 - se, entretanto, o número de deputados não for alterado. Nessa altura, em vez de um Parlamento, talvez tenhamos um «Palermento».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 26 Out. 2002

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