Carta(s) Branca(s)


Aposta restante

O meu amigo Roberto odeia jogos de azar, pelo que está muito apreensivo com o casino que Santana Lopes quer meter no centro de Lisboa:

- Dizem que, como é a menos de 50 km do do Estoril, será perfeitamente legal. O pior é se, a partir de cada novo casino, começam a contar outros 50 km! O país acaba por ficar cheio deles!

Informei-o de que o do Parque Mayer não se vai «reproduzir» pois foi autorizado pelo governo com uma espécie de «lei de excepção» - originalidade lusitana que enfrenta intrepidamente o ridículo. E tentei acalmá-lo dizendo-lhe que em Macau não se dão dois passos sem tropeçar num; que em muitos países há maquinetas de jogo até nos cafés; e que também já temos lotaria, totoloto, totobola, raspadinha, bingos e rifas (e até uma Bolsa de Valores...) à inteira disposição dos apostadores mais impenitentes. E ainda referi que dois respeitáveis diários portugueses me convidam todos os dias, na Internet, a entrar em casinos virtuais onde, entre outras coisas, me disponibilizam «Ruleta», me dão «Bônus» e «Prêmios», e me pedem insistentemente que «Descargue».

Mas ele nem me ouviu e limitou-se a comentar:

- Ou me engano muito... ou isto ainda vai dar uma grande barafunda!

E rematou:

- Quanto queres apostar?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 5 Out. 2002

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