Carta(s) Branca(s)


«Cinto» muito...

Ao apregoar até à exaustão que o valor do défice de 2001 foi de 4.1% (leia-se quatro-vírgula-um), excedendo os 3,0% permitidos por Bruxelas, a Senhora Ministra das Finanças pretendeu atingir dois objectivos:

1º - Desacreditar o governo do PS, responsável pela desgraça - no que teve a inesperada ajuda do próprio Ferro Rodrigues que, com um tacto político que se lhe desconhecia, reconheceu o essencial da acusação ao contrapor o valor de 3,5%!

2º - Preparar o país para os tempos difíceis que aí vêm.

Neste aspecto, e tendo em conta os aumentos a que já procedeu (começando logo pelo IVA), fez-me lembrar o tempo em que dar umas palmadas no rabo de um miúdo, mesmo na rua, não era crime público: o pai ou a mãe (ou quem quer que fosse o encarregado de educação), vendo-se observado, com ar crítico, pelos circunstantes, terminava: «E em casa levas mais!». A criancinha ficava, portanto, com um castigo três-em-um: primeiro, as surras que já ninguém lhe tirava; depois, o horror da espera; e, por fim, as que tinham ficado guardadas. E já ia com sorte se em casa não levasse uma tareia de cinto! Mas isso é coisa de outros tempos; foi apenas uma associação de ideias com «apertar/desapertar o cinto».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 17 Ago. 2002

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