Carta(s) Branca(s)


A certa altura...

Felizmente, daqui a 20 anos já não se andará a discutir o valor do défice de 2001 (telenovela mais fastidiosa do que a do casal Tallon) pois Durão Barroso já brandiu 3,9% com o selo de garantia do Banco Central Europeu.

Ferro Rodrigues reagiu. Mas não o ouvi dizer que o número fosse falso nem o vi mostrar, em defesa do seu partido, qualquer atestado médico de «gastador compulsivo». Só argumentou que a informação era confidencial e, a ser revelada, deveria sê-lo mais tarde - a bem do país, que fica num grande sarilho com a ultrapassagem dos 3%.

Estas peripécias com o valor do défice fizeram-me lembrar as da senhora que perdeu o BI e pediu um novo: foi medida e «deram-lhe» 1,74m. Ora, como ela precisava de 1,75m para a sua profissão de modelo, protestou; tomaram-se novas medidas e «deram-lhe» 1,73m! E ficámos também a saber que, «se tivesse pedido com bons modinhos, tudo se tinha arranjado»!

Ou seja: tal como o valor do défice, a altura das pessoas, em Portugal, é adaptável - nem que seja rapando o cabelo, pondo um carrapito na cabeça ou fazendo um «galo» no cocuruto.

Quanto ao valor de 3,9: pelos vistos, já é pacificamente aceite por todos. Mas não era melhor que tivesse sido divulgado... «noutra altura»?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 20 Jul. 2002

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