Carta(s) Branca(s)


Negativo!

Porque será que alguém associou o substantivo «cassete» ao discurso do PCP? Se pretendia transmitir a ideia - negativa - de que «diz sempre o mesmo», note-se que isso também pode ser encarado como sinal de coerência - por comparação com outros que ora defendem uma coisa, ora proclamam o oposto.

Só que há um paradoxo: uma cassete pode ser apagada e regravada com outros conteúdos; e, nesse aspecto, a «Convergência Democrática» (CD!) fica muito pior (a menos que se considerem os mais raros CD regraváveis que, quando se trata de promessas eleitorais que depois não se cumprem, também podem ser uma alegoria interessante).

Mas tudo isto foi uma associação de ideias tecnológicas com as tristes peripécias que envolveram os deputados do BE e do PCP impedidos de chegar a Sevilha:

Estes últimos queixaram-se, nomeadamente, de que lhes tinham confiscado as películas das máquinas fotográficas. E eu que eu já imaginava um Guarda Civil a dizer para o seu superior: «Chefe, estes estão a gozar connosco! Fazem de conta que tiram retratos, mas afinal as máquinas deles não têm rolo!»!

Estava eu a supor, claro, que na camioneta iam alguns «renovadores», gente capaz de já usar máquinas digitais...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 6 Jul. 2002

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