Carta(s) Branca(s)


Comichões

Na campanha eleitoral, Durão Barroso informou que, com ele (a bem do turismo?), a taxa de alcoolemia iria ficar em «0.5».

Além de, pelos vistos, achar que isso não tem influência no estropiar de turistas e indígenas, esqueceu-se de que os números decimais, em Portugal, se escrevem com vírgula e não com ponto. E ignorou a Comissão encarregada de estudar o problema, lapso de que já não me recordaria se não aparecesse agora mais uma, desta feita para matutar sobre o Serviço Público de Televisão.

Já sinto uma espécie de alergia quando oiço falar de comissões que depois se vem a ver que não serviram para nada. Estou a lembrar-me da Científica (para análise da coincineração - depois «incinerada» por não ter chegado às conclusões que interessavam a alguns dos que a aprovaram), da tal do «ponto-cinco» (dissolvida... em álcool?), e da que, com maioria de razão, já deve existir na sequência das revelações do dr. João Jardim (segundo o qual os comprimidos diuréticos do jogador Kenedy estavam relacionados com a Máfia do futebol).

Não seria mau se a Ministra das Finanças, em vez de aumentar o IVA, tivesse recorrido a uma outra fonte de receitas, uma variante do IRS:

ISR, «Imposto Sobre o Ridículo».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 8 Jun. 2002

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