Consumi... dor
Há algum tempo, ao pretender adquirir um electrodoméstico, recebi uma proposta segundo a qual o pagamento seria a 30 dias. Mas, depois do aparelho entregue, exigiram-me o pagamento imediato!
Confrontado o vendedor com tal discrepância desatou a lamentar-se, informando-me que tinha sido um erro seu e que o mais certo era vir a ser despedido por isso! Perante tal drama humano em perspectiva resolvi pagar, prometi a mim próprio nunca mais lhe comprar nada, e fiquei-me por aí.
E até já me tinha esquecido dessa trapalhada quando me caiu em cima a confirmação de que a promessa de baixar impostos se transformara, afinal, numa subida! E, tal como o governo do PS aproveitou a "ponte" do fim do ano para aumentar as portagens da "outra ponte", também o actual parece ter aproveitado a euforia do fim do campeonato para, reunindo num domingo (!), decretar o aumento do IVA.
Em ambas as peripécias há um cheirinho a "publicidade enganosa".
No que respeita à primeira, o caso está resolvido. Mas, quanto à segunda: podem os votantes no PSD recorrer à Defesa do Consumidor? Haverá sucursal no Palácio de Belém?
Não sei, mas o mais certo é só poderem rejeitar o produto daqui a 4 anos...
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 11 Mai. 2002
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