Carta(s) Branca(s)


Sim(ou não)bolismo

Imagine-se que uma autoridade qualquer decretava que não deve continuar a haver coelhinhos nem ovos de Páscoa - para que as criancinhas não pensem que é por esse meio que os simpáticos animais se reproduzem.

Fantasie-se, também, que o Papa mandava abolir o Pai-Natal, os trenós, as renas e os pinheiros - por tais símbolos serem alheios ao nascimento de Cristo.

Tanto num caso como no outro, quer tais decisões provocassem riso ou indignação, poderia ser descortinada alguma lógica. Mas agora suponha-se que alguém decidia que o Sporting devia comemorar o título renunciando ao símbolo do leão!

Quem conseguir imaginar tanto disparate também deve ser capaz de imaginar que uma Câmara Municipal (a de Lisboa, por exemplo) seria capaz de vetar um cartaz do 25 de Abril que mostrasse um soldado com um cravo.

Pois, por incrível que pareça, o último exemplo corresponde a uma situação real, tendo a C. M. L. substituído o cartaz por um outro que representava umas mãozinhas a abanar para o céu!

Assim, pode muito bem suceder que futuros historiadores, debruçando-se sobre a iconografia da nossa época, venham a concluir que o 25 de Abril, afinal, se fez por votação de braço no ar.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 4 Mai. 2002

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