Carta(s) Branca(s)


Clonaram o Calimero!

Muitas vezes se diz que os governantes são mal pagos. De facto, embora alguns venham a ser compensados quando deixam de exercer a actividade (arranjando coisa melhor), o certo é que, no seu dia-a-dia, se sujeitam a muito mais do que produzir trabalho meritório a baixo preço. Refiro-me ao risco que correm de, com grande probabilidade, apanharem doenças terríveis - como o autismo, a esquizofrenia e a paranóia - de difícil ou impossível cura. Veja-se, p. ex., como pessoas com aspecto normal (como José Luís Arnault e Teresa Caeiro) andam ultimamente por aí, quais zombies desamparados, a queixar-se de que «ainda não perceberam» o que lhes sucedeu!

Ora todas as sondagens indicam que a maioria dos portugueses não só percebeu, como até achou muito bem que Jorge Sampaio os tivesse posto a mexer. E não se diga que os inquiridores escolheram, para interpelar, só pessoas de mau-feitio, pois até as simpáticas senhoras que à minha porta vendem peúgas lhes podem dar a resposta que, estranha e tontamente, dizem ignorar.

Aliás, na patética linha de «O que foi? O que é que me aconteceu? Onde é que eu estou?», apareceu na semana passada um tempo-de-antena do PSD onde se perguntava, com involuntário humor: «Crise? Qual crise?», fazendo lembrar a velha anedota:

- Cuidado com o precipício!

- Precipício? Qual precipíííííííííííííííí...?

Quanto a Santana Lopes, não parece ter outra preocupação que não seja choramingar: depois da rábula da incubadora, saiu-se com a das facadas. Por favor!, de novelas dessas já estamos servidos desde o tempo das do Tide - que até eram melhores pois, além da faca, ainda metiam o alguidar!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 31 Dezembro 2004

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