Carta(s) Branca(s)


Sonecas & Sanitas, Lda.

Tudo começou quando Jardim fez um discurso que, em extensão, não ficou a dever nada aos de Fidel. E não haveria qualquer problema (os seus ouvintes são pagos para isso e muito mais) se o líder parlamentar do PS-M não tivesse sentenciado que aquilo faria «adormecer rinocerontes», levando Jaime Ramos a sentir-se atingido. Jacinto Serrão já devia saber - desde que Santana Lopes se enfureceu por causa de uma alegada sesta - que não se pode falar de sonecas ao pé de gente do PSD. E desta vez, para cúmulo, ficámos sem saber quem é que dormiu bem e quem é que teve pesadelos, pois a cena descambou numa troca de mimos de cariz zoológico à qual ninguém se apressou a pôr fim - porque, se calhar, cenas dessas são perfeitamente normais por aqueles lados.

Como se sabe, no meio da «peixeirada» houve uma intervenção de finíssimo recorte na qual Jaime Ramos foi acusado de, em tempos, ter ganho a vida a vender sifões de retrete; mas não será essa uma actividade mais útil e honrosa do que debitar bacoradas a expensas dos contribuintes?

A propósito, e como a campanha eleitoral vem aí, pense-se na seguinte ideia:

Sendo os sifões dispositivos sanitários com a inestimável função de proporcionar isolamento (impedindo que as emanações deletérias tenham livre-trânsito na sua ascensão a partir dos esgotos), não será possível inventar uma variedade que isole, uns dos outros, os vértices do triângulo Futebol-Políticos-Construção-civil? O melhoramento implicaria um funcionamento bi-direccional, pois os actuais, embora bloqueiem a passagem dos cheirinhos, fazem-no só num sentido, permitindo a passagem, no oposto, daquilo que se sabe.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 24 Dezembro 2004

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