Carta(s) Branca(s)


A carapuça

1 - A propósito de uma eventual candidatura de Ferro Rodrigues à Câmara de Lisboa, um jornalista escreveu: «Ele diz que não é candidato, nem sequer candidato-a-candidato; por isso, podemos concluir que o vai ser». Trata-se de um mero exercício de cinismo ou fruto da experiência do autor, segundo a qual «quando um político diz uma coisa, o mais certo é que mais tarde venha dizer o oposto»?

De facto, nesse aspecto, a realidade portuguesa é tão rica que um dia destes um outro jornalista, propondo-se enumerar alguns exemplos, acabou por ocupar uma página inteira (só à conta de um partido) e teve de usar letra miudinha - tarefa inglória dado que, já depois disso, Cavaco, a AACS, a Standard & Poor's, Cadilhe, Constâncio (e até Jorge Sampaio!) passaram, numa questão de horas e na boca das mesmas pessoas, de altamente respeitáveis e credíveis a pouco mais do que tontinhos!

2 - Cavaco, há duas semanas, proclamou o óbvio: os políticos competentes deveriam afastar os incompetentes. Veio depois esclarecer, angelicamente, que não se referia a ninguém em especial - mas tarde demais: entretanto, já aparecera uma multidão de candidatos:

- Incompetente?! Alto lá, que isso é comigo!

E tantos foram os que assim reagiram - desde Santana Lopes até Jardim - que me fizeram lembrar o brincalhão que, do fundo da plateia, grita «Ó palerma!» e que, quando toda a gente se vira para trás, esclarece:

- Calma! Só chamei um!


NOTA: PSD e PP continuam a dizer que «não percebem» porque é que estão com guia-de-marcha. Parafraseando um aviso da Prevenção Rodoviária: «Se você nem sequer percebe onde está o problema... é porque o problema é você!».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 11 Dezembro 2004

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