Carta(s) Branca(s)


Ao menos há luz ao fundo?

No dia do intempestivo fecho do túnel do Rossio, o Senhor Ministro António Mexia, fiel ao hábito que muitos governantes têm de «desdramatizar» os grandes problemas, veio dizer que, afinal, ele (túnel...) ainda podia ter ficado muito mais tempo em serviço! Imagino que os portugueses que o ouviram devem ter pensado que os estava a tomar por tontos:

«Se era assim, então porque não avisaram com antecedência que a obra precisava de manutenção e que, portanto, iria fechar durante algum tempo a partir de certa data? Toda a gente teria compreendido o problema, e reorganizado a sua vida atempadamente!».

Mas, muito possivelmente, tudo sucedeu assim porque, no ponto a que as coisas haviam chegado, já não podia ser de outra forma - os responsáveis ter-se-ão apercebido de que a situação, por ser MUITO grave, exigia uma actuação urgentíssima, ao contrário do que nos quis fazer crer o Senhor Ministro nesse dia; e, para evitar um desastre de proporções incalculáveis, terão decidido fechar o túnel de imediato, mesmo sujeitando-se à ira popular.

Se foi assim que as coisas se passaram (e sendo verdade que «do mal, o menos»), procederam bem. Quanto ao facto de a zona de maior risco se situar perto do cruzamento desse túnel com o outro (o das Amoreiras) é, talvez, uma coincidência. Mas acredito que para os responsáveis isso tenha sido um motivo-extra para «jogarem pelo seguro»:

É que, se por múltiplas e imperdoáveis incúrias, já houve o desastre de Entre-os-Rios, porque é que haviam de correr o risco de um outro que ficaria, quase de certeza, conhecido como o de Entre-os-Túneis?



Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 13 Novembro 2004

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