Carta(s) Branca(s)


Estão a dar-nos música

1 - UM DIA destes, e a propósito de uma das muitas confusões provocadas pelas declarações avulso de Santana Lopes, uma estação de rádio entrevistou uma deputada do PSD. A certa altura, a senhora, completamente baralhada, pediu tréguas:

- Isso foi só uma ideia lançada pelo Sr. Primeiro Ministro!

De facto, de tal forma o lançamento-de-ideias tem sido uma modalidade por ele praticada (porventura influenciado pelos Jogos de Atenas), que até os jornalistas, durante a semana-da-saúde, passaram metade do seu tempo a interpelar o Presidente da República acerca dessas «bocas» à medida que elas iam aparecendo. Jorge Sampaio evitou sempre pronunciar-se (no que procedeu avisadamente, pois o que era verdade num dia já o não era no seguinte) e, entre duas ambulâncias do INEM, apercebeu-se da sua triste sina: ter de conviver com um bizarro estilo de governação, o «boca»-a-«boca».

2 - NUMA das suas comunicações com Deus, Bagão Félix decifrou mal a mensagem codificada que Ele lhe enviou por SMS: a directiva «PPR, PPR!» não era para atacar os Planos de Poupança Reforma! Antes pelo contrário, era para «Pôr a Pagar os Ricos, Poupando os Pagantes Remediados!». Mas já se esclareceu a origem da confusão: quando, dias antes, o Senhor lhe ordenou que, em matéria de impostos, apertasse com a «classe médica», Bagão Félix percebeu «classe média».

3 - HÁ QUEM argumente que Celeste Cardona, quando foi Ministra da Justiça, não meteu «o pé na argola» (?!) tanto quanto por aí se diz. Como parece que o seu curriculum fala por «SI», «LÁ» lhe arranjaram um lugar ao «SOL». Tenham «DÓ»!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 2 Outubro 2004

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