Carta(s) Branca(s)


Cand(idat)uras...

Nos debates que têm antecedido a escolha do novo Secretário Geral do PS tem-se falado da possibilidade de António Guterres vir a ser candidato a Presidente da República - pelo menos, José Sócrates tem feito passar essa ideia; e da mesma forma, no PPD/PSD, de vez em quando lá aparece algo semelhante em relação a Cavaco Silva (*).

E não haveria nada de mal nisso se os principais interessados não aparecerem sempre a desmentir tudo, com Guterres a dizer, inclusivamente, que nem sequer é «candidato a candidato»! Então em que ficamos?!

Claro que, seja o que for que aconteça, não terá consequências para ninguém em termos de credibilidade - pois toda a gente sabe que o recurso à «inverdade» é uma espécie de direito divino a que muita gente se arroga, nomeadamente entre a classe política.

Além de que há mentiras e mentirinhas: quantas vezes dizemos «Bom dia!» a alguém quando, na realidade, queremos é que lhe caia o telhado na cabeça?

No fim de contas, é bem possível que Cavaco e Guterres estejam a fazer como o Mestre de Avis quando, em 1385, o quiseram fazer rei: fartou-se de dizer que não queria, mas estava mortinho por aceitar!

Se é isso, seria muito bem-feito se lhes acontecesse o mesmo que à menina gulosa a quem a tia (que o não era menos) ofereceu um doce:

- De facto, eu disse por duas vezes que não queria, mas à terceira, como me ensinaram, ia aceitar... Só que a tia não esperou, disse «Ainda bem!», e truca!, engoliu-o... e de uma vez só!

(*) Fazem-me lembrar Manuel Vilarinho, quando prometeu trazer Jardel da Turquia, para o Benfica, se ganhasse as eleições: «E ele ganhou e o Jardel não voltou...».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 18 Setembro 2004

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