Trabalha... dores
Estava eu muito sossegado a ver o Guimarães-Benfica no café, quando, no relvado e nas bancadas, começou a barafunda que se sabe.
Ora quis o acaso que uma velhinha - que, alheia àquilo tudo, estava na mesa ao meu lado a fazer renda - se apercebesse, pelo rebuliço à nossa volta, de que se passava qualquer coisa de anormal. Pousou o trabalho, apurou o ouvido, e, virando-se para mim, pediu-me que lhe contasse o que estava a acontecer... no «quarto do árbitro»!
Quando percebi que se tratava do «quarto árbitro» fiz o possível por a esclarecer. Mas, quando me perguntou porque estavam os adeptos a arrancar cadeiras do seu próprio estádio... fiquei atrapalhado!
Felizmente, um brincalhão que estava por perto saiu-se com esta:
- É de propósito, minha senhora. Têm de partir aquilo tudo para se fazer o novo estádio para o Euro 2004.
- Pobrezinhos... - suspirou a boa velhinha, retomando a sua renda - E nem descansam ao fim-de-semana!
Porém, quando o Corpo de Intervenção começou a justificar o ordenado, a senhora pousou de novo o trabalho e comentou, desta vez entre estupefacta e indignada:
- E diziam que já tinha passado o tempo em que a polícia batia nos trabalhadores!
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 6 Abr. 2002
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