Carta(s) Branca(s)


... «no telhado»?

Quase toda a gente gostaria de ficar para a Posteridade, e Alberto João Jardim não é excepção: segundo o «Expresso», ele espera vir a ser recordado durante as próximas cinco ou seis gerações.

Mas essa pretensão, já de si bizarra pela pouca ambição que revela (só cinco ou seis gerações?!), ainda mais ficou a sê-lo com o esclarecimento que se seguiu:

- Isso é a minha vingança, servida fria e com gozo!

Tem algum jeito querer ficar para a História (ainda por cima numa versão raquítica) por vingança?! E, se isso vier a acontecer, em que se fundamentará?

Felizmente, na mesma semana em que anunciou tal desiderato, deu-nos uma pista: foi quando, ao proferir um discurso numa cerimónia oficial (a propósito de a SIC e a TVI passarem a estar disponíveis na Madeira), chamou «energúmenos» a opositores seus e ameaçou dar «dois coices» (*).

Pelos vistos, escolheu, como via para a micro-posteridade, a mesma de Pinheiro de Azevedo - que ainda durante muito tempo vai ser mais recordado pelo seu «Bardam****!» do que pelos seus méritos.

Mas, se assim é, terá de se estribar em algo mais original, pois já há muitos anos que um seu conterrâneo - o saudoso Max - enalteceu em verso-cantado as virtudes da temperamental Mula-da-Cooperativa.

Com isso, o fogoso animal já ocupou um dos lugares que a História reserva aos que recorrem a pares-de-coices para ficar para a Posteridade - e muito justamente pois, a crer na ode, a alimária não se ficou só pelas ameaças!

(*) - É o resultado de não usar as famosas esferográficas «laranja, para escrita fina»...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 28 Agosto 2004

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