Carta(s) Branca(s)


Então e Santa Comba?

HÁ DIAS, a propósito da promessa de semear ministérios pelo país, contou-se aqui a história do estalajadeiro que começava por propor faisão e acabava a servir pão duro - com grande satisfação do freguês; e terminava-se referindo a interpelação de um jornalista a um escalabitano, cena que a TV mostrou:

- E que tal um ministério da Agricultura cá na terra, hem?

- Venha lá essa maravilha! - respondeu o outro, todo contente.

Se fosse hoje, o diálogo já seria mais completo:

- Pois é, mas não pode ser. E que tal uma Secretaria-de-Estado, hem?

- Venha lá essa maravilha! - respondeu o outro, todo contente.

- Pois é, mas não pode ser. E que tal se for antes na Golegã, hem?

PORÉM, aqui chegada, a lenga-lenga descarrila, pois o pessoal da Câmara de Santarém já desatou aos pinotes por causa da promessa não cumprida. Que diabo! Sendo autarcas experientes, não tinham obrigação de saber do que a casa gasta?

Claro que em matéria de aldrabices há casos infinitamente mais graves (por causa de duas ou três já morreram, no Iraque, cerca de 1.000 «visitantes» e 37.000 «donos-da-casa-mal-agradecidos» - sem que isso tenha tirado o sono aos aldrabões de serviço), mas porque é que Santana Lopes terá avançado com a ideia de Santarém sem antes se certificar se tal era possível?

Bem... se calhar, foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça; depois, deve ter pensado que isso aconteceu pelo facto de a maior parte das letras do respectivo nome coincidirem com as do seu; por fim, lá deve ter achado que isso era um sinal das estrelas... e PIMBA!, «Sai uma ideia simpática!».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 14 Agosto 2004

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