Carta(s) Branca(s)


Aos papéis

- A casa funciona ao ritmo da tipografia e da transportadora da esquina!

Este estranho desabafo ouvi-o eu a um amigo que trabalhava numa empresa portuguesa - líder de mercado, até ser vendida a uns indivíduos cujo primeiro acto de gestão foi colocar à frente dela um naipe de pândegos que não percebiam nada da respectiva actividade. Mas estes - jovens desembaraçados, como é típico nestes casos - não se atrapalhavam com tão pouco:

- Gerimos de tudo, desde camisarias até novas tecnologias - explicavam.

Deram então largas à criatividade: viraram de pantanas gabinetes, móveis, paredes, departamentos e hierarquias; juntaram o que estava separado e separaram o que estava junto - mas, que se saiba, apenas beneficiaram uma tipografia, duas empresas de mudanças e três aprendizes de Recursos (muito) Humanos.

Pouco depois, antes de haver tempo para se saber se eram génios ou impostores (e ainda a tinta dos novos cartões-de-visita estava fresca), a empresa foi revendida; meses mais tarde, tudo se repetiu - e desde aí o circo nunca mais parou. Passados alguns anos, e após inúmeras reestruturações, a casa já só se podia gabar de se ter tornado num triste caso-de-estudo...

Tal como os brincalhões acima referidos, Santana Lopes não deixou pedra-sobre-pedra relativamente ao Governo que herdou. Felizmente, no que toca a papéis e envelopes timbrados, cartões-de-visita, listas telefónicas internas e tabuletas que vão para reciclar, teve a lucidez de ir buscar Nobre Guedes, pessoa bem relacionada (pelo menos até há pouco) com a Sociedade Ponto Verde...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 7 Agosto 2004

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