Carta(s) Branca(s)


A grande partida

Logo «depois do adeus» de Durão Barroso, a RTP promoveu uma mesa-redonda com representantes dos partidos. Sugeri à família que mudássemos de canal, pois palpitava-me que os participantes se limitariam a repetir o que já haviam dito até à náusea; mas, embora a minha sugestão não tenha sido aceite, acabei por ficar - apenas para comprovar que não me enganara.

O certo é que nunca compreendi a insistência em «bater na tecla» da contradição entre a posição do PSD em 2001 (exigindo a realização de eleições antecipadas na sequência da derrota do PS nas autárquicas) e a actual (exigindo a não-realização de eleições antecipadas na sequência da derrota nas europeias) - é que são muito mais divertidos os que afirmavam ontem uma coisa e hoje o seu oposto do que os que dizem sempre o mesmo!

Então não foi engraçado ouvir Durão Barroso dizer, em 23 de Junho, que não era candidato ao lugar que seis dias depois viria a aceitar?

O certo é que, talvez por andar a ler «O Código da Vinci», suspeitei que podíamos estar a ser confrontados com algo cifrado. PEDRO, p. ex., é um dos anagramas de PODER; e mais: 29 de Junho não é o dia dos santos Pedro e Paulo? Humm... Santana Lopes e Portas? BINGO!!

PS: Ai o que Durão Barroso disse em tempos de Santana Lopes! E o que este disse em tempos de Paulo Portas! E o que este disse em tempos de tantos outros! E como agora convivem todos tão harmoniosamente! Apesar disso (e de todas as outras piruetas cuja referência aqui não cabe), como também a Oposição está no estado que se vê, o melhor é, por agora, fazer de conta que os levamos - a todos! - a sério.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 17 Julho 2004

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