Carta(s) Branca(s)


O elixir

Apesar da crise que se sabe, não há que censurar os que mandaram fabricar centenas de milhar de bandeiras nacionais na China e na Índia. Dado que eram para vender e a globalização é uma realidade, qualquer de nós faria o mesmo: encomendava-as a quem as fizesse mais barato (embora rejeitasse as que vieram com pagodes chineses no lugar dos castelos, coisa que, se não tivesse visto, julgaria impossível!).

Também não há que censurar os jogadores e treinadores que deixam o seu país para irem trabalhar noutros, pois trata-se de artistas de um espectáculo bem pago, a globalização é uma realidade, e qualquer de nós faria o mesmo: venderia o seu trabalho a quem lhe desse melhores condições. E o facto de, inversamente, os clubes estarem atafulhados de estrangeiros também é natural, pois decorre do que atrás se refere: a globalização e a «lei da oferta e da procura» são soberanas.

No entanto, de vez em quando, a rapaziada lusa sente um estremeção na alma, e o futebol, talvez por estar mais à mão, é colado ao patriotismo - nobre sentimento que, com um pouco de sorte, talvez se estenda a outras coisas.

Mas o certo é que essas considerações não se coadunam com os tempos que vivemos; por isso, a solução é arvorarmos as bandeiras «made in Qualquer-Sítio» e sorvermos, a grandes tragos, esse inebriante elixir feito com patriotismo e futebol - o PATRIOTOL®.

PS: No 10 de Junho, Sampaio agraciou os «Xutos & Pontapés». Fê-lo por causa do grupo musical, como promoção subliminar ao Euro-2004, ou como antecipação do resultado eleitoral da Coligação PSD/CDS-PP?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 3 Julho 2004

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