Carta(s) Branca(s)


Haja juiz e juízo!

Fiquei surpreso quando soube que um dos desordeiros ingleses havia sido condenado a dois anos de prisão efectiva. No entanto, quando a «Sky News» perguntou ao correspondente em Albufeira se isso iria acalmar os outros, a resposta foi estranha:

- Não é provável, pois eles passam horas infinitas na praia, mais ainda a beber, e à noite já não têm lucidez para nada.

Fez-me lembrar a história do escorpião que pediu à rã que o deixasse atravessar uma ribeira encarrapitado nas suas costas:

- Não, que tu matavas-me - respondeu ela.

- Que ideia! Se eu fizesse isso, tu morrias, mas eu afogava-me! - contrapôs o suplicante.

A rã rendeu-se ao argumento. No entanto, chegados à outra margem, o outro espetou-lhe o ferrão, enquanto se desculpava:

- Tem paciência, querida, mas está-me no sangue...

Só que «o que está no sangue» desses adeptos sabemos nós bem - há até uns aparelhos que o medem e dão o resultado em g/l!

Ao ver aquelas cenas algarvias vem-me também à lembrança o ofício do Comandante da Polícia Municipal de Lisboa alertando para os «indivíduos de tez negra». Tal preocupação parece desfasada da realidade pois os desordeiros que temos visto são do mais branquinho que há. Mas a explicação do mistério deu-a Tony Blair:

- São uma minoria de adeptos...

Aí está! São as ovelhas «negras»!


PS: Tudo isto teve a vantagem de mostrar que a Justiça pode ser rápida; mas também trapalhona, pois o tal adepto, ao chegar a Inglaterra, foi solto! Pelo que foi dito, tal deveu-se a um erro processual! De quem?! Estarão a gozar connosco, ou tanta eficiência é só «para-inglês-ver»?!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 26 Junho 2004

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