Carta(s) Branca(s)


A lista negra

Circula na Internet uma lista dos locais onde - segundo lá se diz - costumam ser colocados radares para detecção dos excessos de velocidade.

Ora, a primeira coisa que faz quem apanha um documento desses, é ir ver se está contemplado algum percurso que mais utiliza; depois, passa-o aos amigos e faz um figurão! Claro que, com isso, fragiliza a acção das autoridades e contribui para a morte nas estradas, mas essas listas só existem enquanto houver patrulhas que se postem invariavelmente nos mesmos locais, dando azo à incrível frase «Cuidado, que eles costumam estar ali!».

Contrariando esse péssimo hábito, a BT da GNR tem, ultimamente, actuado em locais e horas imprevistos; espero bem que assim continue (e até com mais meios), dado que é a sensação de impunidade que está na origem de quase todos os desastres - a que impropriamente se dá o nome de «acidentes».

Mas como conciliar essa esperança com a notícia do «Expresso» de 29 de Maio: «Brigada de Trânsito da GNR vai para o Iraque»?

Será o mesmo critério que o aplicado a Amílcar Theias, demitido assim que apresentou o seu primeiro grande trabalho (o dossiê das Águas)?

Há quem diga que foi também isso o que fizeram aos sub-directores da PJ do Porto que dirigiram a operação «Apito Dourado» - mas parece que não. Outros, dizem que as viagens que lhes deram (a um para Aveiro e a outro para França) foram prémios - mas também não creio, pois nesse caso ter-se-ia arranjado coisa melhor: o que não falta para aí é gente com vontade de oferecer, a investigadores, viagens só «de ida» para destinos bem mais caros, como a Antárctida, Marte...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 10 Junho 2004

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