Carta(s) Branca(s)


Impagável!

O que é que têm em comum problemas tão diferentes como a fraude fiscal, os sacos-azuis, as descargas das suiniculturas, o desemprego, os incêndios florestais, o estado da Justiça, o descontentamento dos médicos, a violência no desporto, o caos urbanístico e as fífias das colocações de professores?

Em todos esses casos, os responsáveis recorrem aos verbos «desdramatizar», «desvalorizar» e - muito especialmente - ao «minimizar»; e até nas recentes peripécias protagonizadas pela Sra. Ministra das Finanças isso sucedeu - quer quando se soube que se tinha esquecido de declarar no IRS €15.000 de uma herança, quer quando contratou, por €23.480 mensais, um novo Director-Geral dos Impostos.

Assim, quando, no Congresso do PSD, Durão Barroso se referiu a eventuais problemas de segurança do Euro 2004, também era de prever que os «minimizasse». Mas, pelo contrário, «ampliou-os», com particular destaque para a possível greve dos funcionários do SEF, que alegam que o Estado lhes deve, desde Janeiro de 2002, uma verba que já ascende a 2,7 milhões de euros.

De qualquer forma, o verbo que Durão Barroso tirou da cartola também é da família «izar»: «responsabilizar». E quem? O PCP!

Contenhamos o riso, pois pode não andar longe da verdade: de facto, às vezes a culpa é dos que, confrontados com o que devem, «Pagam Com Promessas»...


NOTA: O governo também recorreu aos verbos «substituir» (pela GNR!) e «requisitar». Entretanto, na 4ª feira, as greves foram desconvocadas e Figueiredo Lopes sacou de um arrasador «negar» (a dívida)! Resumindo: como ficamos quanto ao verbo «pagar»?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 29 Maio 2004

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