Carta(s) Branca(s)


Os «neo-espartanos»

Há dias, o canal «História» mostrou uns recrutas norte-americanos numa aula ao ar-livre, ouvindo um instrutor que, recorrendo a uma linguagem empolgante, lhes falava dos espartanos como exemplo a seguir.

Evidentemente, era dado grande destaque à batalha das Termópilas - onde, no ano 480 a.C., 300 soldados resistiram até ao último homem, impondo ao invasor persa um terrível atraso.

«Hum... soldados americanos... Pérsia... Querem ver que lá vem outra vez o Iraque?» - desconfiará o leitor; e não se engana:

Ao contrário do que é suposto suceder com os presos nesse país, os de Camp Delta, em Guantánamo, não têm direito ao que está estabelecido nas Convenções de Genebra.

Ora, segundo o «Washington Post», a referida prisão foi, em tempos, dirigida por um tal Maj. Gen. Miller que, um belo dia, foi mandado para Bagdade. Depois, quando o escândalo das sevícias rebentou, a Brig.Gen. Karpinski (responsável pelos estabelecimentos prisionais locais e entretanto demitida) veio a terreiro acusar o seu camarada de ter pretendido «guantanamizar» a actividade!

O certo é que essa espécie de «franchising» funcionou na perfeição até ao aparecimento das famigeradas fotografias.

Agora, quem vai «pagar as favas» são os tansos que quiseram ficar nos retratos. Bem-feito, por terem faltado às aulas! Nelas teriam aprendido que, quando se descobria que um espartano havia feito uma patifaria, era punido... por se ter deixado apanhar!

Nota: Surgiram mais fotografias (e bem piores), mas serão mantidas secretas. Motivo invocado: «proteger a privacidade... das vítimas».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 22 Maio 2004

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