Carta(s) Branca(s)


Uma data deles

Em Abril de 2003, a percentagem de iraquianos que encaravam a Coligação como libertadora era igual à dos que a consideravam como ocupante: 43-43%. Em Abril de 2004, esses valores eram 13-73%.

Quando, pouco depois, rebentou o escândalo das sevícias na prisão de Abu Ghraib (aliás, já denunciado há mais de um ano por organizações internacionais... mas sem fotos), um porta-voz da Casa-Branca alegou que 99% dos soldados não podiam ser associados aos actos praticados por uma minoria. O pior é que, como se diz dos taxistas do Aeroporto da Portela, «basta 1% para dar mau nome à classe» - e 1% de 150 ou 200.000... são MUITOS!

O certo é que, na opinião de 87% dos inquiridos, a Coligação já não vai a tempo de mudar a sua imagem perante o mundo e, pela primeira vez, o apoio a Bush desceu - nos EUA - abaixo dos 50%.

Além disso, depois de denúncias envolvendo também tropas britânicas (desde sevícias a presos até à morte de muitos civis inocentes), 55% dos súbditos de Sua Majestade querem os seus soldados de volta logo a seguir a 30 de Junho - e 54% que as investigações sejam feitas por civis e não por militares.

Entretanto, e enquanto decorrem os inevitáveis «rigorosos inquéritos», os iraquianos interrogam-se acerca do governo que lhes vão impingir no tal dia 30 - e com que direito os «visitantes» já decidiram que vão ficar ainda durante MUITOS anos. Mas, recentemente, um jornal português esclarecia:

«A TRANSFERÊNCIA DE PODER OCORRERÁ A 31 DE JUNHO»


Nota: As percentagens indicadas foram as referidas, entre 2 e 11 de Maio 2004, em: CNN, Washington Post, Sky-News, The Independent e Aljazeera.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 15 Maio 2004

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