Carta(s) Branca(s)


Os marqueses

Desde um ministro da Defesa (que, se tivesse feito a tropa, saberia que não se deve mascar pastilha-elástica em comemorações oficiais - muito menos em paradas militares) até ao insuperável Alberto João Jardim, passando pelos autarcas que por aí esvoaçam com-o-rei-na-barriga, há políticos que são verdadeiras «fábricas de gargalhadas» para todos os gostos. Agora até arranjaram um filme para os apreciadores de humor-negro: o Túnel do Marquês.

Parece que uns «entendidos» disseram que não era preciso fazer grandes estudos para essa obra - quando muito, talvez um estudozeco de impacto ambiental caísse bem... Ora a bagunça começou quando Santana Lopes teve a peregrina ideia de colocar a questão a uma misteriosa entidade: o Ministério do Ambiente!

Amílcar Theias, que anda por lá, chutou para o seu simpático Secretário de Estado que, por sua vez (e porventura depois de ler o que «estava escrito nas estrelas»), respondeu que o tal estudo não era necessário.

Mas apareceram dois «empatas»: o Tribunal Administrativo e a Comissão Europeia do Ambiente, o que levou Santana a denunciar o prejuízo que ambos podem causar - mais do que a verba que gastou de Março de 2003 a Março de 2004 em novas viaturas topo-de-gama!

Felizmente, se o problema é dinheiro, a coisa resolve-se, pois o tal Secretário de Estado é o mesmo que quer multar os munícipes que não coloquem o lixo nos contentores.

Mas já está armado um dramalhão terrível, bem ao gosto do «outro marquês» que possivelmente vai constar na toponímia de Lisboa associado ao túnel-da-tortura: refiro-me ao de Sade, claro.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 8 Maio 2004

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