Carta(s) Branca(s)


Força!

1 - Recentemente, Ferro Rodrigues embirrou com a expressão «FORÇA, PORTUGAL!». Ora vejamos se é caso para isso:

Sem a pontuação, a frase ficaria uma espécie de nome de partido político; com ela assemelhar-se-ia, de facto, a um incitamento à Selecção. Mas o que vi num cartaz era mais misterioso: onde devia estar a vírgula alguém pôs uma estrelinha.

Mas, no que toca a misturar linguagem política com a da bola, o PS também não está inocente: pede que se mostre um «cartão amarelo» ao Governo - e o PCP, na mesma onda, quer que o dito seja vermelho. Felizmente, como ainda há a cor verde (a da Esperança, que compete à Coligação defender), podem alternar entre um linguajar político-futebolísco e um político-semafórico.

No meio de tão coloridas peripécias, apareceu ainda o apelo do PS para uma remodelação do Governo. Claro que está a pensar naqueles que «não acertam uma»; mas não serão esses os «melhores» - a crer no princípio de funcionamento das vacinas?

2 - Em «O Cônsul Honorário», Graham Greene refere um diplomata britânico que, de vez em quando, hasteava o pavilhão do seu país ao contrário. Se calhar, foi nele que se inspirou o MNE português para se apresentar na tenda de Kadhafi, no ano passado, com a nossa bandeira «de pernas para o ar». E fez escola pois, no domingo, pudemos ver (na RTP1) uma imagem da embaixada portuguesa em Bagdade - onde esse símbolo nacional ondulava ao vento em igual postura. Empolgante! Força, Portugal!


NOTA: No romance de Greene, o tal patusco lamentava-se: «a bandeira devia ser mais simples...» - mas só quando estava bêbedo.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 17 Abril 2004


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