Carta(s) Branca(s)


A Inteligência

No mesmo dia em que ocorreram os atentados de Madrid houve, por cá, uma reunião da Unidade de Cooperação Anti-Terrorista; com uma particularidade: não teve a presença da PSP nem da GNR.

Decerto tais ausências terão justificação mas, aos olhos do vulgo, parecem fruto de mais uma das inúmeras tricas que se sabe existirem mas que não se aceitam - há quem garanta, p. ex., que os atentados do 11 de Setembro poderiam ter sido evitados se os diversos Serviços de Informações tivessem comunicado entre si.

Na mesma linha, os responsáveis europeus que recentemente discutiram o combate ao terrorismo chegaram à conclusão de que não é preciso inventar nada - basta que se passe à prática o que já se estabeleceu em 2001: coordenação e circulação de informação.

Mas, estando em causa hábitos que não se mudam de um dia para o outro, os povos ainda terão, durante muito tempo, a sua segurança entregue aos cuidados de organismos nos quais, pelos vistos, «ganha a vidinha» um bom número de incompetentes - pelo que haverá que ter cuidado com a qualidade da informação produzida por essa Inteligência:

Bush e Blair dizem que intrujaram o mundo porque as suas Secretas lhes deram indicações falsas; Aznar garante que mentiu ao povo por culpa dos Serviços espanhóis; Durão Barroso diz que...

Bem... quanto a este, aguardemos, pois está marcada para hoje (o dia em que escrevo) uma interpelação ao governo – que chegou a estar anunciada para o 1º de Abril...


NOTA - Sejamos justos: a cantiga «Josezito/ Já te tenho dito/ Que não é bonito/ Andares-me a enganar» é anterior a José M. Aznar e a José M. Durão Barroso.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 27 Março 2004

Página Anterior
Topo da Página
Página Principal
Página Seguinte