Carta(s) Branca(s)


Os Aldrabinhos

Quando ficou claro que a justificação para a invasão do Iraque foi construída, essencialmente, na base do gigantesco embuste das armas de destruição maciça, a popularidade dos seus artífices caiu naturalmente - porque, apesar de haver governos que acham que intrujar os seus súbditos é a coisa mais natural deste mundo, ainda vai havendo quem não aprecie tal procedimento.

Quanto a isso, que o diga o PP espanhol - que acaba de perder as eleições, em boa parte por causa de uma falsidade: ainda fumegavam os destroços dos inqualificáveis atentados, e já o governo garantia que sabia quem os tinha perpetrado: «A ETA!» - tese que manteve, mesmo quando já tresandava a mentira.

Ora, como até para aldrabar é preciso ter jeito, vai sendo possível distinguir os «aldrabões» dos «aldrabinhos» - como no caso do Iraque, em que chegou a ser penoso ver aqueles-que-nós-sabemos a recorrer a falsos testemunhos e a risíveis argumentos tomando-nos a todos por parvos:

À falta de melhor, Durão Barroso justificou-se com a obrigação de apoiar os seus aliados - nomeadamente americanos e espanhóis. Então, e se Bush perder as eleições e a América mudar de política? E quanto à posição do novo governo espanhol? A sua diplomacia é de Maria-vai-com-as-outras?!

Tudo isso já foi dito e redito mil vezes. A grande novidade é que cada vez se percebe melhor por que é que na lista dos 55 mais procurados do Iraque não consta o ex-Ministro da Informação:

Provavelmente, a ideia era reciclar esse aldrabão, promovendo-o a consultor do Grupo Dramático «Os Aldrabinhos».


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 20 Março 2004

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