Carta(s) Branca(s)


Sociedade da in... formação

Todos sabemos como a Justiça portuguesa se dá mal com a informática; mas foi divertido ver, há dias, na TV, umas folhas repletas de gatafunhos hieroglíficos que inúmeras pessoas tentaram, em vão, decifrar. Tratava-se de um acórdão, manuscrito, apesar de (segundo António Marinho) terem sido distribuídos computadores aos senhores juizes para eles darem uso ao programa de processamento de texto...

Recentemente, soubemos também que o sistema que gere as custas judiciais não funciona; e ainda que houve magistrados que desligaram os seus computadores da rede... com medo dos piratas!

Veremos como serão gastos, na luta contra o info-analfabetismo, os anunciados milhares de milhões de euros para inovação e formação - até porque Bruxelas já garantiu que os próximos dinheiros que enviará não são para gastar em asfalto.

Vem isto a propósito do facto de um tribunal ter decidido que Fátima Felgueiras podia retomar as suas funções como Presidente da Câmara. O problema é que há uma outra decisão da Justiça (aparentemente do mesmo país) que manda que ela seja presa assim que puser cá os pés!

Mas a senhora já sugeriu solução para o imbróglio: governar de longe, usando as já consagradas tecnologias de tele-trabalho.

O problema é que, a avaliar pelo ritmo a que o Estado põe as em prática as «modernices», ainda vai ter de esperar muito. A menos que esteja a pensar em exercer o seu mandato por telemóvel, a partir de uma cela em Portugal - porque esses aparelhos são conhecidos, especialmente lá no Brasil, por «celulares»...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 21 Fevereiro 2004

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