Carta(s) Branca(s)


Pim, Pão... Pum!

Referiu-se aqui, na semana passada, o verdadeiro assalto que seria uma subida do preço do pão em 35%. É que, mesmo que a matéria-prima tivesse aumentado nessa percentagem, há que ter em conta que o custo de um produto é composto por muitas parcelas (salários, combustíveis, transportes, encargos financeiros, etc.), nenhuma das quais subiu nessa proporção.

Ora, quando foi divulgado que o governo mandara investigar o caso, logo vieram várias pessoas dizer que tinha havido um mal-entendido. Ainda bem, mas mais descansados ficaríamos se um industrial do ramo não tivesse tido o cuidado de nos desenganar:

- A subida não vai ser de 35%; mas que vai haver, é garantido!

Se estão em causa 30, 20, ou apenas 10%, não se ficou a saber - nem haverá, decerto, um valor uniforme. E o Zé-Pagante, ao ver esfumar-se a "ameaça terrorista" inicial, se calhar até ficou muito feliz quando confrontado com um valor um pouco mais baixo - e nem se lembrou de que a inflação prevista pelo governo, para 2004, é de 2%!

Pode também ter sucedido o mesmo que na história do João-Pateta -que se gabava de ter muito jeito para dar más notícias - a quem um dia incumbiram de informar uma amiga de que os pais tinham falecido numa explosão.

- Aconteceu uma grande desgraça! - anunciou ele quando a encontrou -. Rebentou um paiol de pólvora na tua terra e morreu toda a gente!

E ainda a pobre estava a digerir a notícia, paralisada, quando o João-Pateta, rindo e dando-lhe uma palmada nas costas, rematou:

- Anima-te, mulher, que eu estava a brincar! Foi só o teu pai e a tua mãe!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 17 Janeiro 2004

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