Carta(s) Branca(s)


Aprendi, em menino...

... que era uma «gaffe» mandar as Boas-Festas a pessoas que estivessem presas ou de luto - mas ainda há dias Celeste Cardona foi desejar um Feliz Natal aos reclusos;

... que os números decimais, em Portugal, têm vírgula e não ponto - mas Durão Barroso recusa-se a aceitar isso! Será para agradar aos americanos ou para dar força aos que se batem pela melhoria do ensino da Matemática?

E inúmeras outras coisas, todas simples e úteis - uma espécie de «Dez Mandamentos» em versão aumentada.

Vem isto a propósito do facto de haver muitas pessoas a queixarem-se de que escrevem - em vão - a autoridades ou organismos oficiais. Terão de se habituar à ideia de «falar pr'ó boneco», pois até o PCP pediu esclarecimentos ao Governo sobre a Universidade Lusíada e ao fim de meses ainda estava à espera; e Manuel Monteiro já por duas vezes escreveu a Durão Barroso a pedir para ser recebido... e nem A nem B!

Fico confuso com isso pois, na tal aprendizagem-base da minha juventude, constava também que se deve responder a quem nos escreve - tal como a quem nos cumprimenta. Mas se calhar as regras mudaram. Por exemplo:

Muitas das pessoas que publicam artigos em jornais e revistas indicam o seu endereço de correio electrónico. Por vezes envio-lhes «e-mails», mas quase nenhuma se dá ao incómodo de usar o ícone «responder». Ora, um dia destes, usei um ingénuo truque que resultou em cheio. Escrevi: «Adoro os seus artigos e queria aproveitar a quadra do Natal para lhe enviar uma lembrança. Para onde o posso fazer?».

Cheguei a receber respostas em triplicado!!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 20 Dezembro 2003

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