Carta(s) Branca(s)


Ainda os PEC-a-dores

Já aqui se referiu a ginástica que o nosso governo fez para explicar ao povo o apoio que deu à França e à Alemanha no caso do não-cumprimento do PEC por parte desses dois países. Mas palpita-me que os portugueses não devem ter ligado muito à trapalhice das justificações, até porque há coisas muito mais graves - como o aval dado à falsidade das razões invocadas para invadir o Iraque.

A propósito de aldrabices: tire-se o chapéu ao génio criativo de Bush, pois, tal como as armas de destruição maciça, também o peru cuja foto correu mundo (quando, no Dia de Acção de Graças, apareceu em Bagdad a servir os soldados) era, sabe-se agora, falso - de plástico...

Mas voltando à rábula do apoio português ao PECado dos dois «grandes»: já o assunto tinha caído no esquecimento quando Durão Barroso, possivelmente consciente de que ninguém o levara a sério, tirou da cartola um novo argumento - este, sim, esmagador: Portugal esteve solidário com a França porque há lá muitos portugueses!

Ora, como o nosso povo está espalhado pelas sete partidas do mundo, a palavra França será, quando der jeito, substituída por Venezuela, Brasil, Canadá, EUA, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, África do Sul... Enfim, podemos vir a ser uma espécie de Portugal-com-todos, bizarra coisa que mais faz lembrar o bacalhau-com-todos.

Entretanto, pessoas altamente qualificadas da política europeia voltaram a classificar o PEC como «Estúpido». Se tal adjectivo pretende ser um novo significado para o «E», as restantes letras - «P» e «C» - serão de «Parvo» e «Cretino»?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 13 Dezembro 2003

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