Carta(s) Branca(s)


No bom caminho!

O facto de o nosso governo ter aceitado que os défices da França e da Alemanha possam exceder impunemente o valor de 3% tem causado grande discussão em Portugal - mas é natural que a maioria dos indígenas não compreenda como é que se podem pedir sacrifícios ao nosso povo e ao mesmo tempo se encarem complacentemente as «atitudes irresponsáveis» de outros países.

Mas há que ter em conta que o Natal está à porta, pelo que é preciso saber dar valor às manifestações de Paz, Amor e (sobretudo!) de Compreensão - como a que Durão Barroso manifestou publicamente face aos incumpridores.

Além do mais, parece que a nossa Ministra das Finanças é que tem razão, pois já há quem veja «a luz ao fundo do túnel» - embora outros digam que não é «a luz da saída» mas sim «a do combóio que vem aí para nos trucidar».

No entanto, raciocinemos: se é verdade que o aumento das exportações é fundamental, não estaremos no bom caminho? Parece evidente que sim; e vejamos apenas três exemplos:

Lembram-se de quando desatámos a exportar resíduos industriais perigosos como alternativa à coincineração (que uma CCI - Comissão Científica de Incompetentes - recomendara)?

Lembram-se também de quando até a Senhora de Fátima nos ajudou a exportar a mancha de óleo do Prestige para a Galiza?

E de quando, já muito recentemente, exportámos uns 11 mil milhões de Euros de dívidas ao Fisco e à Segurança Social?

Então, se o nosso país exporta que se farta (quanto mais não seja lixo, poluição e calotes) quem é que pode dizer, honestamente, que não está no bom caminho?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 6 Dezembro 2003

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