Cartas para a Imprensa


Receita para a receita

Elas vão-me desculpar, mas quando oiço certas entidades oficiais a queixarem-se de falta de dinheiro, não as levo a sério. E digo isso, porque basta-me chegar à janela para ver a fortuna que esbajam imperdoavelmente:

Não é preciso fazer grandes contas de cabeça para se saber que as multas que NÃO são cobradas à infinidade de carros que atafulham os passeios da minha rua dariam para minorar (ou até resolver de vez) o famigerado problema da «falta-de-recursos».

Mas, se não se quer AUMENTAR AS RECEITAS por essa via, então podiam DIMINUIR-SE AS DESPESAS, mandando para a reforma antecipada todos os que não fazem aquilo para que são pagos pelos contribuintes: no caso presente, os agentes de autoridade que não multam, no que ficariam bem acompanhados pelos seus superiores que, pelos vistos, lhes toleram (se é que não encorajam) a inacção.

Mas, se também não se quer ir por aí, pode-se então recorrer a uma outra fonte de rendimento:

Esta, veio-me à mente no seguimento da notícia do «DN» que nos deu conta de que a PSP apreendeu o dinheiro de alguns reformados que estavam a jogar às cartas no Ajuda Clube - repetindo o que já fizera, há algum tempo, no Príncipe Real.

É que isso deu-me mais uma grande ideia para aumentar as receitas do Estado! Não, não se trataria de confiscar as carteiras de velhinhos que jogam à bisca! A ideia era a criação de um imposto sobre o RIDÍCULO.


Publicado no "Público-Local" em 27 Dezembro 2005, no "DN" em 29 Dezembro 2005 e no jornal "metro" em 5 Janeiro 2006

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